Use a assertividade para dar opiniões sem ofender ninguém

Defender opiniões é importante, mas sem agredir ou ofender o outro. É imprescindível saber dialogar, o que pressupõe o equilíbrio entre falar e ouvir

Por Eduardo Shinyashiki*  |Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

É normal encontrarmos nas empresas pessoas que querem impor sua opinião e ter razão a qualquer custo, criando mal-estar no contexto profissional. Quantas vezes nós mesmos, tendo em mente o nosso trabalho, pensamos na imagem de um ringue de boxe onde lutas acontecem?

 

Mas querer ter sempre razão tem limite? Aquele que diz o que pensa a qualquer custo, dando a sensação de imposição, tende a criar conflitos no ambiente em que trabalha, não gera cooperação e integração com os colaboradores na empresa e com a própria equipe. O indivíduo acaba utilizando o julgamento e a crítica na sua comunicação, em vez da compreensão e do diálogo.

 

Portanto, reagir agressivamente na defesa da opinião e entrar em conflito não levam a resultados positivos. Entrar em uma discussão com uma atitude mental de “eu ganho”, “você perde”, “eu tenho razão”, “você está errado”, “eu falo” e “você fica calado”, claramente, não ajuda a desenvolver boas relações. A base da conversa saudável é conseguir se comunicar e criar vínculos gratificantes com as pessoas. Para isso, a tolerância, a abertura ao diálogo e a aceitação do outro são fundamentais.

 

Qual é o ponto de equilíbrio, então, para poder defender nossas opiniões e fazer com que sejam respeitadas sem ser agressivo demais? O limite de uma atitude saudável para defender ideias é quando a conversação produtiva acaba e se instaura uma batalha para impor o que se pensa e a própria imagem, faltando respeito ao interlocutor e tornando a interação autoritária, inconcludente e destrutiva.

 

Saber expressar e defender opiniões e pontos de vista sem agredir ou ofender o outro, mas também agir com assertividade e saber “dialogar”, pressupõe o equilíbrio entre falar e ouvir dos interlocutores, como nos mostra o significado da palavra “diálogo”, em que dia quer dizer “através”, e logos, “palavra”. Resumindo, é a palavra que passa e se movimenta entre as partes envolvidas que interagem, permitindo um aprendizado colaborativo.

 

Ele é uma das formas mais importantes de interação entre as pessoas e permite abrir a mente a outras maneiras de pensar e a novos conhecimentos. Mostra-nos, também, como sentir e ver o mundo de diferentes jeitos, colocando em confronto diálogos mentais e fortalecendo a consciência de si mesmo e do outro. Porém, ao mesmo tempo, ele é um processo delicado, pois a tendência da nossa mente é de se apegar às próprias opiniões e defendê-las, dificultando a conversa e criando o conflito.

 

Nesse sentido, podemos evidenciar alguns pontos de reflexão para atingir a qualidade desejada no diálogo, ser assertivos e conseguir um verdadeiro debate:

  • Atenção às comunicações verbal e não verbal. Usar palavras que demonstrem confiança em si mesmo e no outro, evitando julgamentos em relação ao interlocutor, ordens e ofensas, é tão importante como utilizar a flexibilidade comunicativa, ou seja, se fazer entender e se adaptar ao contexto do outro. Cuidado com o tom de voz, o volume, as expressões do rosto, os gestos, pois a linguagem corporal tem um papel decisivo no resultado do diálogo.
  • Não interromper o interlocutor no meio de um pensamento e mostrar interesse pelo que a pessoa está dizendo são elementos que mantêm viva a conversa.
  • Ouvir as opiniões do outro cria empatia e abertura ao diálogo. Procurar entender quais os seus objetivos e desejos diminui possíveis divergências e fatores de conflito interpessoal.
  • Ter clareza, ser direto e honesto na exposição dos pontos de vista, permitindo ao interlocutor compreender as nossas opiniões.
  • Ser gentil na comunicação. Lembrando que ser assertivo não significa ser agressivo, mas saber o que se quer, se expressando de forma respeitosa, clara e eficaz. Atitudes gentis criam um clima positivo e sereno, além de ser a expressão de força e segurança interiores.

 

Podemos concluir que é possível criar um diálogo efetivo, objetivo, sem perder o limite da razão, sem humilhar, ofender ou desqualificar o outro, expressando as próprias ideias, e que tem como pressupostos principais o respeito ao interlocutor e uma atitude interna de autoestima e autoconfiança.

 

A pessoa com essas duas qualidades consegue se relacionar melhor com os outros sem medo de se confrontar consigo mesma e com os demais, sem se tornar presunçosa e arrogante na comunicação.

 

O desenvolvimento dessas características nasce do confronto entre si mesmo e do mundo ao redor. Tendo mais consciência de quem é você e do que se quer, há a possibilidade de defender ideias de forma clara e adequada, utilizando o diálogo que, por sua estrutura intrínseca, considera sempre o bem de todas as partes envolvidas.

 

Revista Psique Ciência & Vida Ed. 85

Adaptado do texto “A força do diálogo”

*Eduardo Shinyashiki é consultor organizacional, escritor e especialista em Desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. Especializado em Preparação Psicológica de Equipes de Alto Rendimento com o
dr. Octavio Rivas Solis e em Leitura Corporal com o dr. José Angelo Gaiarsa.