Transtorno bipolar é mais comum entre as mulheres

O transtorno bipolar é uma grave doença mental, que leva o paciente a alternar o comportamento, indo, rapidamente, da euforia à depressão, com sérias consequências

Por Suzana Bitti* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Eu, que sou bipolar há muitos anos, rendi-me abaixo aos meus próprios conceitos e maneira de entender a vida e listei uma série de dados, informações técnicas e assustadoras sobre o transtorno depressivo bipolar. Essas são as pesquisas e as informações da Ciência. Uma Ciência que, a cada dia, evolui e altera seus paradigmas, bem como suas constatações.

 

É, seguramente, uma séria doença mental. As crises, tanto depressivas quanto eufóricas (mania), levam o paciente a grandes e indescritíveis dores da alma. O sofrimento na depressão severa leva o paciente a tirar a própria vida, não porque deseja morrer ou é fraco, mas porque não suporta a sua dor e pensa que a morte é o único meio de se livrar dela.

 

A crise de euforia (o outro lado da moeda) faz da vida do paciente uma verdadeira avalanche: compra tudo, pode tudo, sabe tudo, inventa tudo e corre um grande risco de perder a vida, diante de tantas “loucuras” que faz. Bom, “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Como fazer então?

 

Acreditar que essa não é nem de longe a pior doença do mundo, procurar o profissional habilitado para doenças mentais – o psiquiatra – e uma terapia para ajudar a aceitar e controlar a doença, usando com rigor os medicamentos, que, em geral, são estabilizadores de humor. Além disso, deve acreditar em nossa infinita capacidade de superação.

 

O transtorno bipolar atinge 2,2% da população: são 4,2 milhões de brasileiros, segundo estimativa da Associação Brasileira de Psiquiatria. Aqui se esqueceram de registrar que as mais afetadas somos nós, mulheres, 50% mais do que os homens. Dentre elas, destacam-se, de forma maciça, as professoras.

 

 

A bipolaridade é a doença mental que mais mata por suicídio: 15% dos doentes. Um risco 28 vezes maior de apresentar comportamento suicida do que o restante da população. Aproximadamente metade dos doentes tentam o suicídio, segundo levantamentos. A expectativa de vida de homens bipolares é 13 anos menor e de mulheres bipolares, 12 anos menor do que a da população em geral, segundo um estudo dinamarquês. Após cinco episódios do transtorno, perde-se 10% do hipocampo, área responsável pela memória, estima o psiquiatra Matos e Souza.

 

De acordo com as últimas descobertas científicas, as crises de euforia e depressão são tóxicas ao cérebro. O cérebro de quem tem a doença sofre com o excesso de neurotransmissores. As crises são acompanhadas da descarga de substâncias, como dopamina e glutamato. Na tentativa de controlar o incêndio, o organismo manda para a região células protetoras. Elas produzem inflamação, causando a perda de conexões entre neurônios.

 

As crises, no início, são espaçadas e sutis. Por milhares de vezes esse diagnóstico nunca chega a ser dado. Estima-se que um em cada quatro casos sejam diagnosticados corretamente.

 

Lembro, ainda, que o estresse é o grande fator desencadeador dessas doenças. Você se sente ansioso e estressado? Então fiquemos atentos aos motivos da ansiedade e da tensão. Vida tranquila e equilibrada é o segredo para combater doenças mentais, porque equilíbrio é prevenção. Predisposição genética não significa dizer que somos, por força, destinados a desenvolver uma doença mental. Em geral, é o dia a dia que faz despertar a predisposição. “Prevenir é melhor que remediar”.

 

Revista Psique Ciência & Vida Ed. 97

Adaptado do texto “Pseudofelicidade e tristeza profunda”

*Suzana Bitti é psicanalista e autora do livro O Céu da Pseudofelicidade, o Inferno da Tristeza Profunda – Transtorno Bipolar (Wak Editora). Possui formação em Letras e em Administração. Especializações e pós-graduação em Metodologia da Teoria da Inteligência Multifocal. Master em PNL e Coach de Vida e Pessoal.