Transgêneros tendem a desenvolver depressão

Pesquisas mostram que as pessoas transexuais com disforia de gênero apresentam maiores chances de exibir transtornos psiquiátricos ao longo de suas vidas

Por Giancarlo Spizzirri* | Foto: Wikimedia Commons/Lubunya | Adaptaptação web Caroline Svitras

Pesquisas mostram que as pessoas transexuais com disforia de gênero têm maiores chances de exibir transtornos psiquiátricos ao longo de suas vidas; entre eles: episódios depressivos, tentativas de e/ou suicídio e história de trauma (físico e/ou emocional) durante a infância. Mais especificamente, pessoas que apresentam transtorno ansioso associado à transexualidade com disforia de gênero tendem a apresentar mais problemas psiquiátricos que a população em geral, além de serem, junto com os transtornos afetivos (como a depressão, por exemplo), os distúrbios mais frequentes nessa população. O uso abusivo de substâncias psicoativas ilícitas ou sem prescrição médica é outro aspecto relevante: 10% dos transgêneros comentam que procuraram tratamento para uso abusivo de substâncias em pesquisa realizada na população americana.

 

Apesar de a conscientização pública sobre o amplo espectro de indivíduos transgêneros estar se desenvolvendo, a compreensão científica sobre o fenômeno do desenvolvimento da identidade de gênero ainda é limitada. Não há nenhuma evidência de que o ambiente social após o nascimento desempenhe papel crucial na determinação da identidade de gênero, entretanto as relações entre as diferenças sexuais estruturais e funcionais de várias áreas do cérebro em relação às variações hormonais durante o período gestacional têm sido verificadas.

 

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Adaptado do texto “O desenvolvimento da identidade”

*Giancarlo Spizzirri é psiquiatra doutorando pelo Instituto de Psiquiatria (IPq) da Faculdade de Medicina da USP, médico do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do IPq e professor do curso de especialização em Sexualidade Humana da USP.