Psicanálise explica comportamento no trânsito

No trânsito, para realizar ou buscar um prazer, quebramos” algumas regras, inclusive podendo chegar à morte. Parece nítido que, quando esse é o assunto, tendemos a priorizar a satisfação e o gozo, e não a vida

Por Eduardo Lucas Andrade* e Alexandre Aurélio Chaves** | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

A pulsão (trieb), termo empregado por Sigmund Freud a partir de 1905, tornou-se um grande conceito da doutrina psicanalítica. A pulsão está em todos os momentos ativos na vida do sujeito: pulsão de vida (EROS), pulsão de morte (TÂNATOS). As pulsões são de origem inconsciente do sujeito e difíceis de controlar; já as pulsões de morte (TÂNATOS) levam o sujeito a se colocar repetitivamente em situações dolorosas. No trânsito, percebem-se as pulsões de morte (TÂNATOS), que são pulsões agressivas, se não em todos os momentos, pelo menos na maioria deles, quando os motoristas e até mesmo pedestres apresentam grande nível de hesitação com ira e cólera.

 

Ambas as pulsões supracitadas andam sempre de mãos dadas, “amigas” íntimas, ora uma pulsa com maior intensidade, ora outra. Um dos protótipos da pulsão de morte é a repetição, uma quebra de continuidade de algo, uma destruição de uma busca incessante do desejo. No entanto, mais uma vez, temos Eros com uma participação discreta, repete-se mas nunca o mesmo, damos uma continuidade mais estreita, quando ocorre a repetição o pulsar psíquico já é outro.

 

Com isso, o poder da evolução das “máquinas” criadas pelo homem junto às pulsões de morte acarreta e favorece ainda mais acontecimentos trágicos. E quando se diz de pulsões, a questão da tentativa de controle e de precaução complica-se, ainda mais inseridas na velocidade ímpar em que o trânsito as colocam. Pulsares sobre um corpo de pulsões inquietantes. Enquanto Eros favorece o encontro, Tânatos mune a destruição. Isso me remete a pensar nos acidentes, que em geral são encontros (Eros) entre seres desejantes que resultam em destruição (Tânatos) corpórea, de vida, dentre outras. A questão que fica é: até quando EROS perderá adiantada essa “batalha” para TÂNATOS e o que fazer para aniquilar essa complexa situação?

 

Revista Psique Ciência & Vida Ed. 86

Adaptado do texto “O trânsito na contemporaneidade”

*Alexandre Aurélio Chaves, psicólogo, professor da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Bom Despacho, membro do NDE do curso de Psicologia da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Bom Despacho.

**Eduardo Lucas Andrade, escritor, palestrante e aluno de Psicologia na Faculdade Presidente Antonio Carlos; e de Psicanálise no Estúdio Ato de Psicanálise (Bom Despacho).
Email: dudupinta13@hotmail.com