Por que vivemos presos ao passado? Saiba como os neurônios atuam nesse caso

Todos eles se comunicam entre si, mas o modo como se organizam nas chamadas redes neurais muda de pessoa para pessoa. O que define essa situação são a educação e as experiências individuais adquiridas

Por Eduardo Shinyashiki* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

O nosso cérebro tem, aproximadamente, 100 bilhões de neurônios. Neurônios esses que se comunicam entre si, igualmente, em todos os seres humanos. Porém, o modo como eles se organizam nas redes neurais varia de pessoa para pessoa. O que vai definir essa organização será a bagagem, a educação e a experiência individual de cada ser.

 

Quando nascemos, além da herança genética, aprendemos com a família a falar, maneiras de se comportar, de pensar, crenças e valores, que começamos a repetir no decorrer da vida. Uma espécie de espelho em que refletimos tudo o que o outro faz.

 

Esse processo trata de esquemas de comportamento, “programas mentais”, que nos direcionam, nos fazem tomar decisões, ter atitudes e viver de uma forma que, às vezes, segue na direção oposta à desejada. Como um GPS que não é atualizado e se torna obsoleto frente às ruas e estradas, assim acontece com as redes neurais. Com o passar do tempo, se não renovamos as nossas experiências, as redes vão se tornando viciadas, assim como os caminhos que percorremos e as atitudes que temos, pois as mudanças de realidades, cenários e oportunidades são cada vez mais rápidas.

 

E quando nos damos conta, estamos vivendo no modo automático, presos à pensamentos repetitivos, hábitos, convicções cristalizadas e com a sensação de que nossas vidas se tornaram previsíveis. Mas, certamente, não é esse o modo correto de viver, pois senão não nasceríamos com tantos neurônios prontos para absorver as coisas incríveis ao nosso redor. O nosso cérebro é estruturado para reter informações novas, elaborá-las e integrá-las. Quando não aprendemos nada de novo, não mudamos velhos hábitos, não enriquecemos o nosso cérebro com novas experiências e as nossas conexões neurais se tornam fixas, cheias de programas de comportamentos automáticos, que não são mais úteis para o sistema de evolução.

 

Quando chegamos a esse nível entramos no famoso “piloto automático”. Tornamos-nos rígidos e podemos chegar a não ter consciência da ação e reagir naturalmente na base da nossa “programação”. Mudar é um exercício que exige esforço, vontade, tempo e comprometimento constantes, pois a velocidade dos avanços tecnológicos e as mudanças na Ciência e na Economia são mais rápidas do que as alterações de comportamento, pensamento e atitudes do ser humano e são mais lentas, complexas e diferenciadas para cada pessoa. Às vezes, fazemos poucas e fracas tentativas e, logo em seguida, desistimos e nos mantemos trancados nas nossas posições e opiniões.

 

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A velocidade de responder às mudanças será o diferencial no sucesso pessoal e profissional do ser humano. A agilidade, a lexibilidade e a adaptação às mudanças e inovações são o que mais nos será pedido no futuro. Porém, ocasionalmente, o programa original se torna nossa única opção, pois nos dá a sensação de que é mais fácil repetir o programa do que mudá-lo, e assim se segue sem questionar. Quantas vezes, no trabalho, repetimos comportamentos, tendo reações inadequadas, sentindo emoções que nos remetem a quando éramos crianças? Quantas vezes o nosso agir automatizado diminuiu a qualidade dos nossos resultados? Por vezes, nos sentimos presos, encarcerados por esses esquemas mentais e de comportamento, desejando sair deles. Outras vezes, nos acomodamos neles, não querendo sair do lugar conhecido e almejando que tudo permaneça como está.

 

Precisamos interromper estes circuitos neurais utilizados por muito tempo habitual e automaticamente, sair do usual e do repetitivo, pois o nosso cérebro, para permanecer jovem, precisa aprender sempre coisas novas, experimentar novas áreas, habilidades e competências. Além do que nosso cérebro não é estático nem rígido, ele é modificável e constantemente remodelado e reorganizado pelos nossos pensamentos e experiências. Pensamos o quanto a relação com pessoas diferentes de nós, de outros países e culturas ou com outras opiniões enriquece a nossa experiência, amplia nossos pontos de vista e expande nossa flexibilidade e nossa adaptabilidade.

 

Quando adquirimos novos conhecimentos, imaginamos ou vivemos diferentes situações, fixamos informações, desenvolvemos novos conceitos e mudamos paradigmas. Podemos, assim, modificar esquemas mentais obsoletos, mudar comportamentos e incrementar a capacidade de inovar. Precisamos utilizar nossa vontade consciente e nosso poder de escolha para provocarmos as mudanças. Dessa forma, a nossa mente permite ser aberta para encontrar novos caminhos, novas oportunidades, opções e experiências, e se torna mais livre para criar e conceber infinitas possibilidades e realidades.

 

Revista Psique Ciência & Vida Ed. 100

Adaptado do texto “O poder dos nossos 100 bilhões de neurônios”

*Eduardo Shinyashiki é palestrante, consultor organizacional, escritor e especialista em Desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. Presidente da Sociedade Cre Ser Treinamentos, colabora periodicamente com artigos para revistas e jornais. Autor dos livros Viva como Você Quer Viver, A Vida é um Milagre e Transforme seus Sonhos em Vida – Editora Gente. Para mais informações, www.edushin.com.br.