Meninos têm seu primeiro contato com bebida aos 13 anos

Por Agência Usp, com Marcela Baggini | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Outra pesquisa na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da Usp aponta o que muitos já desconfiavam: garotos têm 2,2 vezes mais chances de cometer exageros relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas se comparado a meninas. Participar de atividades de cunho religioso reduz consideravelmente as chances de consumo.

 

Para o doutorado Consumo de Bebidas Alcoólicas e outras Substâncias Psicoativas entre Estudantes do Ensino Médio de Uberlândia – MG, a pesquisadora entrevistou, por meio de questionário, 1.995 jovens do ensino médio de diversas escolas públicas e de uma escola privada do município de Uberlândia. “O estudo traz não só a realidade dos jovens uberlandenses, corrobora com outros realizados ao redor do mundo”, salienta a pesquisadora.

 

A pesquisa, com 94,3% de estudantes de escolas públicas, revelou que eles têm o primeiro contato com a bebida aos 13 anos. “Álcool e tabaco são com essa idade, porém, drogas mais pesadas como crack, cocaína e maconha é por volta dos 14, 15 anos”.

 

Entre os 1.613 jovens que declararam já ter consumido álcool, a maioria, 35,3%, diz que o primeiro contato com a substância foi na casa de amigos. Segundo a pesquisadora algumas motivações relatadas para o contato com a bebida foram critérios de aceitação, como a entrada em um grupo ou facilitador de relações interpessoais.

 

Boa parte desses jovens, 28,7%, relataram ter o primeiro contato em sua casa, com pessoas do seu convívio diário. Para a pesquisadora o dado é explicado com dois aspectos: Alguns pais acreditam que se seus filhos bebem perto deles, estão protegidos, porém, outros fazem isso para estimular a conduta, que pode trazer riscos, mesmo com a consciência dos pais.

 

Já sobre o Padrão Binge (ferramenta para conceituar um padrão de consumo), adolescentes do sexo masculino (70,2%) bebem mais do que as garotas (28,2%). A comparação não foi feita apenas entre os sexos, mas também nas escolas: a prática de cometer exageros com maior frequência foi maior na escola particular.

 

Revista Psique Ciência & Vida Ed. 102