Malformação fetal: o pior pesadelo da gravidez

Tristeza pela morte de anencéfalos ocorre ainda na gestação, diz estudo

Por Agência USP | Foto retirada da revista | Adaptação web Caroline Svitras

Elaborar a morte de um filho que ainda não nasceu, está vivo, e se desenvolvendo, é um processo que causa grande sofrimento a gestantes que, com autorização da justiça, optam por interromper a gravidez em virtude de malformação fetal. A situação gera perdas e desencadeia um complexo processo de luto, como mostra estudo do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP.

 

Os casos analisados envolviam malformação fetal, sem chances de sobrevivência, como a anencefalia e a agenesia renal bilateral. Os resultados mostraram que o diagnóstico fetal causou sofrimento a essas mães por gerar inúmeras perdas e desencadear “complexo processo de luto. Por isso, a importância de discutir e planejar abordagens e cuidados à saúde de gestantes nessa situação”, afirma Elenice Bertanha Consonni, em sua tese de doutorado orientada pela professora Eucia Beatriz Lopes Petean.

 

“O diagnóstico pré-natal de malformação letal gera para elas uma vivência de luto antecipado muito particular: elaborar a morte anunciada do filho que ainda não nasceu e que está vivo e se desenvolvendo em seu ventre”, afirmou a pesquisadora.

 

Ao receberem a notícia, as mulheres passaram a buscar um sentido para a malformação do filho e muitas se sentiram culpadas pela condição. Os relatos também indicaram que as imagens do feto na ultrassonografia, especialmente nos casos de anomalia externa, causaram espanto e sofrimento. Porém, o contato das mães com imagens do ultrassom e da internet fez com que elas compreendessem melhor a gravidade da malformação.

 

Revista Psique Ciência & Vida Ed. 98

Adaptado do texto “Malformação fetal”