Magnésio é um forte aliado contra a depressão. Entenda

Por Marco Callegaro* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

O uso de nutrientes para melhorar nossa saúde não é novo, e há muito tempo se sabe do potencial que uma nutrição adequada pode ter sobre a saúde humana. No entanto, só mais recentemente os nutrientes têm sido reconhecidos como importantes para a saúde mental. Existe um movimento na Psiquiatria, denominado de Psiquiatria nutricional, cujos proponentes acreditam que a nutrição deve ser o eixo de uma renovação importante na área, tradicionalmente dominada pelo paradigma de uso de psicofármacos. Um exemplo de nutriente importante para melhor funcionamento do cérebro que impacta favoravelmente na redução da ansiedade e melhora do humor são os óleos presentes no ômega 3. O uso de cápsulas de óleo de peixe pode reduzir em até 30% a ansiedade e melhorar em 20% o humor de uma pessoa, segundo pesquisas recentes.

 

Um novo estudo testou o efeito do mineral magnésio como tratamento para depressão, e os resultados foram surpreendentemente positivos. Sendo o magnésio um nutriente que está presente naturalmente na alimentação, e não tem efeitos de dependência, tolerância nem qualquer tipo de efeito colateral, parece ser uma escolha muito apropriada para condições de depressão, caso se revele de fato eficaz para reduzir o sofrimento de pessoas acometidas pelo devastador transtorno mental.

 

O estudo com o mineral magnésio revelou que esse nutriente leva somente duas semanas para produzir efeito, uma semana a menos do que os antidepressivos, e foi considerado seguro e eficaz para casos de depressão moderada a severa. O magnésio tem sido associado a menor inflamação e a melhoras no quadro de depressão.

 

A nova investigação comparou os efeitos de suplementação nutricional de um grupo que ingeriu cápsulas de cloreto de magnésio com outro que não usou esse mineral; 128 pessoas usaram 250 mg de cloreto de magnésio por dia durante seis semanas. Depois desse período, alguns efeitos positivos do mineral já puderam ser notados, pois o grupo que ingeriu a suplementação teve marcantes melhoras.

 

As pessoas que participaram do estudo tomando magnésio não tiveram qualquer tipo de problema, e não houve diferenças baseadas em sexo, idade ou se as pessoas estavam ou não tomando antidepressivos. Mais da metade dos participantes disse que continuaria a tomar magnésio para ajudá-los com a depressão. Esse foi o primeiro estudo clínico randomizado com o magnésio até hoje, e os resultados foram muito encorajadores, uma vez que existe grande necessidade de tratamentos adicionais para depressão.

 

Os medicamentos antidepressivos têm sido de longe os mais utilizados no tratamento da depressão, embora sejam muito mais caros e causem uma série de efeitos colaterais. Os efeitos negativos biológicos dos antidepressivos, como náusea ou ganho de peso, são de longe os mais conhecidos. No entanto, uma investigação recente mostrou efeitos colaterais psicológicos e interpessoais importantes. O estudo realizado com quase 2 mil participantes na Nova Zelândia mostrou que aqueles que tomaram antidepressivos durante os últimos cinco anos relataram uma série de efeitos colaterais perturbadores. Entre os efeitos colaterais, os participantes revelaram que sentiam dificuldades sexuais (62%), não se sentiam como eles mesmos (52%), tiveram redução nos sentimentos positivos (42%), se avaliaram como menos cuidadosos com os outros (39%) e relataram efeitos negativos quando a medicação foi retirada (55%).

 

Considerando o custo dos medicamentos antidepressivos e a presença de efeitos colaterais, o mineral magnésio, que é barato, disponível e razoavelmente eficaz, se mostra uma opção bastante promissora para tratar condições de depressão. A ingestão de alimentos ricos em magnésio pode ser fator preventivo para a depressão e até mesmo terapêutico para casos de transtornos de humor, na medida em que o mineral se revela importante para o funcionamento adequado do cérebro.

 

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Adaptado do texto “O poder antidepressivo do magnésio”

*Marco Callegaro é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed, 2011).