Ingrediente para o sucesso

Novo conceito aponta que a ideia de ser bem-sucedido, ou seja, a obtenção de maior inteligência emocional, tem ligação direta com o somatório do quociente de inteligência (QI) com o quociente emocional (QE)

Por William Ferraz* e Maria Aparecida Pinhal** | Foto: | Adaptação web Caroline Svitras

Já foi comprovada cientificamente, em diversos artigos publicados, a ideia de que a inteligência emocional é essencial para obter habilidades críticas referentes às relações interpessoais, que impactam diretamente no processo de obter sucesso (Zakariasen, K. e coautores, 2012).

 

Foi observado que é possível atingir posições de liderança sem possuir inteligência emocional. Entretanto, as chances são extremamente pequenas de obter sucesso. Há também uma relação direta entre inteligência emocional e maior ganho financeiro.

 

O mais importante é estar atento de que é possível criar estratégias que aumentem a inteligência emocional, sendo que tais estratégias já foram comprovadamente eficientes ao ser avaliado o QE (Rocha, C. e coautor, 2013). O QI corresponde à identidade de cada um, sendo dificilmente modificado; o QE pode ser desenvolvido e existem várias técnicas que comprovadamente conseguem aumentar o QE.

 

 

A inteligência emocional está relacionada com elementos fundamentais do comportamento, que independem do seu intelecto. Portanto, não existe uma relação direta entre QI e QE. Isso significa que não é possível prever a inteligência emocional de um indivíduo baseando-se em seu QI. A capacidade de aprender, diretamente relacionada ao valor do QI, é a mesma aos quinze ou cinquenta anos de idade. Por outro lado, a inteligência emocional é flexível e pode ser adquirida com a prática. Devemos lembrar que existem pessoas que naturalmente são mais inteligentes emocionalmente que outras, mesmo que o QE não seja uma característica predefinida no nascimento. Agora sabemos que fatores ambientais e comportamentos treinados podem modular o QE.

 

Fazendo uma analogia com o corpo físico de um indivíduo, o QI representa a estatura definida ao nascimento por características genéticas, enquanto os músculos representam o QE, que contrariamente pode ser moldado e desenvolvido, dependendo de treinamentos físicos.

 

Conexão

O cérebro é dividido em dois hemisférios, cada um com funções diferentes. O hemisfério esquerdo está mais relacionado ao raciocínio lógico e à linguagem (logos = palavra), sendo denominado o hemisfério dominante ou principal. Já o hemisfério direito, “subordinado” ou secundário, está diretamente relacionado com as emoções.

 

Enquanto o lado esquerdo do cérebro é linear, crítico, objetivo, utiliza o conhecimento de forma dirigida, sequencial, analítica e interpreta literalmente as frases ditas, é capaz de representar, e fingir, o lado direito cerebral é capaz de fazer abstrações, criar, inventar e imaginar, assumindo um estado mais livre.

 

O hemisfério direito apresenta facilidade para visualizar o que já foi visto e fixar na mente imagens reais ou criadas. Por essa razão, é capaz de entender metáforas, consequentemente colorir desenhos, tocar ou ouvir música, meditar e fazer exercícios que deixam a mente mais livre, intensificam características próprias capazes de desenvolverem o lado direito do cérebro e assim trabalhar a inteligência emocional de forma mais eficiente.

 

A comunicação entre os hemisférios racional e emocional do cérebro define a inteligência emocional. As informações chegam ao cérebro pela região frontal (sistema límbico), onde são geradas emoções e somente depois seguem para a região do neocórtex. Consequentemente, é possível perceber que experiências relacionadas às emoções precedem a elaboração do raciocínio lógico.

 

 

É possível inferir que a inteligência emocional corresponde à capacidade de percepção e interpretação das próprias emoções, bem como gerir e interpretar as emoções de outras pessoas e de grupos. Resultados científicos comprovam que a inteligência emocional é efetiva para manter a boa saúde (Hassan e colaboradores, 2015) e auxilia na percepção de mensagens expressivas e verbais, contribuindo, assim, para melhorar a comunicação (Wojciechowski, J. e coautores, 2014). Um estudo com mais de mil crianças demonstrou que a aquisição de maior consciência emocional possibilita melhor adaptação de crianças e menores distúrbios sociais e de personalidade (Ordóñez, A. e coautores, 2015).

 

Existem quatro capacidades necessárias para atingir um quociente de inteligência adequado: detectar e decifrar emoções, principalmente, identificar as próprias emoções; utilizar as emoções para facilitar atividades cognitivas, aproveitar-se dos seus sentimentos e emoções para resolver problemas de qualquer natureza de forma eficiente, adequada e rápida; perceber variações das emoções, reconhecendo como as próprias emoções evoluem em determinadas situações; possuir habilidade para modular as próprias emoções.

 

Podemos concluir que o desenvolvimento de tais capacidades gera autoconhecimento, autogestão, consciência social, gestão interpessoal e maior probabilidade de atingir os objetivos de forma mais eficiente. Uma das características mais importantes da inteligência emocional alta é a habilidade de influenciar decisões de forma adequada, controlar impulsos e adaptar-se às diversas situações, compreender adequadamente as reações das pessoas e de grupos e, finalmente, desenvolver a capacidade de ser um verdadeiro líder, inspirando e influenciando pessoas e, ao mesmo tempo, ter aptidão para gerir conflitos.

 

Em geral, pessoas que não trabalham suas capacidades de inteligência emocional apresentam dificuldades de relacionamento, de adaptação às mudanças, de lidar com situações imprevistas, maior dificuldade para encontrar soluções eficientes na resolução de problemas, apresentam intolerância, são mais impulsivas e estressadas.

 

Revista Psique Ciência & Vida

Adaptado do texto “Ingrediente para o sucesso”

*William Ferraz é master coach especialista em Neurolinguística e Inteligência Emocional do Instituto IDEAH de São Paulo. Terapeuta, master practitioner e advanced trainer em Programação Neurolinguística PNL. Formado em Administração de Empresas e Trainer com certificação internacional em Neurossemântica – ISNS (EUA). Site: http://institutoideah.com.br

**Maria Aparecida Pinhal é biomédica com mestrado e doutorado em Biologia Molecular pela Unifesp e pós-doutorado pela Universidade de San Diego, Califórnia. Participante do programa de desenvolvimento contínuo do Instituto IDEAH.