Homens têm mais dificuldade para superar términos

O ser humano ainda encontra muitas dificuldades no sentido de saber lidar com alguns desafios afetivos, como, por exemplo, como amar ou ser amado ou como enfrentar questões relacionadas ao amor-próprio

Por Andreia Calçada* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Maria Tereza Maldonado, na apresentação do livro Labirinto de Espelhos, aponta que os conhecimentos recentes da Neurociência afetiva e as pesquisas sobre as origens da construção do vínculo entre mãe e filho desde a gravidez mostram a possibilidade de desenvolver, desde os primeiros anos de vida, as sementes do amor, da empatia e da capacidade de cuidar. Criando, assim, condições para que desenvolvam habilidades e competências a partir da construção de uma base sólida de boa autoestima. Essa base sólida permite percorrer, de modo mais seguro, os labirintos da vida, com suas dificuldades e possibilidades, surge como alicerce de força de vida. Acreditar em si mesmo, em sua força, em suas possibilidades de ser bem-sucedido é ingrediente básico da autoestima, que influencia o grau de autodeterminação. A formação da boa autoestima depende profundamente do olhar amoroso de apreciação, do ser visto como pessoa de valor, com competência, no mínimo por uma pessoa significativa nos círculos de convivência.Quando esse olhar estruturante falha, a pessoa tenta alicerçar-se externamente no parceiro, procurando nele a segurança (e a autoestima) que lhe falta. Quando, então, o rompimento se dá a insegurança e as instabilidades internas surgem à tona, além do luto esperado para a finalização de um relacionamento. Estas estavam apenas tamponadas pelo relacionamento. Dependendo do tamanho da insegurança e da instabilidade, além da estrutura de personalidade de cada um, a reação será mais ou menos agressiva, mais ou menos depressiva, e a dificuldade em responsabilizar-se pelo término, culpabilizando o outro, se impõe. Muitas vezes o ódio se manifesta pela ferida aberta e o estrago é feito na vida de quem está em volta. Do ex-parceiro (a), dos filhos, enfim chegando a tragédias como vemos estampadas em jornais do nosso país e do mundo.

 

Saiba como reconhecer a paixão doentia e procurar ajuda

 

Interessante pensar a partir dos resultados de pesquisas que em adultos jovens há a predominância de sentimentos positivos tanto para homens como para as mulheres, embora em intensidades diferentes, pois o nível de sentimentos positivos para eles foi superior ao delas. Além disso, as mulheres atingiram níveis mais elevados de sentimentos negativos quando comparadas aos homens, o que indica um maior sofrimento por parte delas.

Como a Alienação Parental atrapalha o processo de aprendizagem

 

Constata-se que as mulheres ainda possuem a maior dificuldade em fazer o luto, bem como lidar com a separação, principalmente quando do lugar de mãe e as exigências feitas ao ex-parceiro. Como já relatei neste arquivo sobre a imagem das Medeias, Levy e Gomes levantam a questão das que “matam” seus filhos nas Varas de Família após separações. Embora não seja este o objetivo do artigo, é importante vincular aqui a questão da alienação parental, ensejando a morte psicológica dos filhos envolvidos nesses litígios. A necessidade, porém, de uma análise histórico-cultural se faz imprescindível para que se entenda que essa não é uma questão de gênero, mas da contextualização da mulher no mundo e nas relações e seus vínculos com o poder.

 

O quanto a questão das relações vinculares significativas e seu olhar de valorização e respeito sobre a criança são fundamentais na estruturação da autoestima e da personalidade. O quanto a desvalorização da mulher por séculos ainda pesa na estruturação de sua autoestima. Quanto mais bem estruturadas encontram-se a autoestima e a personalidade, maior a flexibilidade e melhor a forma como cada um vai lidar com os rompimentos de relacionamentos amorosos.

 

Revista Psique Ciência & Vida Ed. 133

Adaptado do texto “Como aceitar o fim”

*Andreia Calçada é psicóloga, psicoterapeuta com formação em Gestalt, psicoterapia breve, terapia cognitivo-comportamental, hipnose ericksoniana, pós-graduada em Psicopedagogia, especialista em Psicologia Clínica e Psicopedagogia Clínica. Professora de cursos sobre avaliação psicológica e experiência de 10 anos em Psicologia Jurídica, como assistente técnica ou perita. Autora dos livros Falsas Acusações de Abuso Sexual – o Outro Lado da História. Coautora do livro Guarda Compartilhada – Aspectos Psicológicos e Jurídicos.