Excesso de informação pode prejudicar nossa saúde mental

A velocidade do mundo atual impõe que todos estejam conectados o tempo inteiro, porém o excesso de informações pode trazer consequências negativas, inclusive para saúde psicológica

Por Igor Lins Lemos* e Juliana Isola Vilar** | Fotos: 123 Rf | Adaptação web Caroline Svitras

O processo de convergência digital, midiática e tecnológica alterou as formas de produção de informações que se recebe em seu processo de construção, formato e velocidade. “Quando se fala em convergência, além de provocar a metamorfose dos meios, a mudança é para jornalistas e leitores porque o fluxo tecnológico permite novas formas de produção, mas também de consumo […], há uma diluição dos polos de transmissão de informação. Todos são emissores e, concomitantemente, todos são receptores” (Cunha, 2014, p. 125). Essa mudança aconteceu quando a web passou à sua segunda fase, a partir dos anos 2000, e se prepara para chegar à web 3.0, que trata basicamente da interação entre usuários e máquinas.

 

Como discutem Barrios Rubio e Zambrano Ayala (2014), é relevante debater a importância de como a troca de informações é feita através de narrativas transmídias que combinam áudio, vídeo, novas formas de produção e linguagens diversas. Tradicionalmente, os veículos de comunicação (televisão, rádio, jornais impressos e veículos on-lines) possuem uma dinâmica própria de produção de notícias a partir de informações, que também teve de se adaptar à nova web 2.0.

 

Cunha (2014) revela que a velocidade é o imperativo para a evolução e alternância dos sistemas técnicos ao afirmar que o fluxo tecnológico é constante, ou seja, há sempre novas possibilidades para produção, veiculação e acesso aos conteúdos. Cada nova tecnologia da informação, em seu tempo, destaca-se em armazenamento e transmissão.

 

Produção de notícias

Antes disso, esses meios costumavam utilizar como base para construção de notícias duas teorias do jornalismo: a Gatekeeper e o agendamento. Na teoria do Gatekeeper, a “pessoa que tem o poder de decidir se deixa passar a informação ou se a bloqueia. Ou seja, diante de um grande número de acontecimentos, só viram notícia aqueles que passam por uma cancela ou portão” (Pena, 2008, p. 133). Já na teoria do agendamento, “os consumidores de notícias tendem a considerar mais importantes os assuntos que são veiculados na imprensa, sugerindo que os meios de comunicação agendam nossas conversas. Ou seja, a mídia nos diz sobre o que falar e pauta nossos relacionamentos” (Pena, 2008, p. 142).

 

Nesse processo de construção da notícia a partir da informação apurada ainda são considerados os critérios de noticiabilidade, ou seja, os valores que ressaltam a pertinência da divulgação de informações. Esses critérios podem variar de acordo com a linha editorial de cada veículo. Em seguida, começa o processo de pesquisa e coleta de dados, a busca por fonte, contestação de dados com outras fontes, dependendo do estilo da notícia e, após o crivo final do editor, a informação é liberada nos veículos de comunicação. Esse era o modo tradicional de produção de notícias a partir da informação.

 

 

Atualmente, esse processo é diferente. Cunha retrata “a relevância desempenhada por redes sociais, como o Twitter e o Facebook, na determinação das pautas […]. Muitas vezes, são nessas plataformas que, em primeira instância, os acontecimentos transformam-se em grandes assuntos do momento, capazes, em uma segunda etapa, de definir os temas a serem tratados pelos meios de comunicação tradicionais e até por […] instituições que formam os poderes constituídos” (2016, p. 100). Desse modo, a hegemonia antes exercida pelos meios de comunicação passa a ser contestada, pois a internet trouxe outras possibilidades de definição do que é informação e como ela é pautada. Agora, o grande público também participa ativamente dessa seleção porque observa os acontecimentos.

 

Confira o artigo na íntegra na revista Psique Ciência & Vida Ed. 140. Garanta a sua aqui!

Adaptado do texto “Como lidar com a pressão do excesso de informação”

*Igor Lins Lemos é doutor em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento (UFPE), psicoterapeuta cognitivo-comportamental, palestrante e escritor na área das dependências tecnológicas. E-mail: igorlemos87@hotmail.com

**Juliana Isola Vilar é jornalista, com ênfase em comunicação corporativa e marketing digital. Atua na área de assessoria de imprensa e produção de conteúdo. E-mail: jisola.vilar@gmail.com. Linkedin: Juliana Isola Vilar.