Estudo com cães pode ajudar vítimas de TOC

Por Centro de Estudos em Psicologia | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Uma equipe de pesquisadores estudou o comportamento de cães da raça doberman pinscher e descobriu que esses cachorros tinham um gene em comum. Nicholas Dodman, diretor da clínica de comportamento animal da Cummings School of Veterinary Medicine, da Tufts University, no estado de Massachusetts, e principal autor do relatório, afirmou que as descobertas têm amplas implicações para transtornos compulsivos em pessoas e animais.

 

Estimativas calculam que o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) atinja de 2,5% a 8% da população humana. Aparece em comportamentos como lavar as mãos excessivamente, verificar o forno, trancas e luzes várias vezes, além de ações prejudiciais, como arrancar cabelos pela raiz e automutilação.

 

Dodman e seus colaboradores buscaram uma fonte genética para esse comportamento ao analisar e comparar os genomas de 94 cães doberman pinscher que mordiscavam seus flancos, cobertores ou apresentavam ambos os comportamentos com os de 73 dobermans “normais”.

 

Eles também estudaram os pedigrees de todos os cães para padrões complexos de hereditariedade. Os pesquisadores identificaram um ponto no cromossomo canino 7 contendo o gene CDH2 (Cadherin 2), que mostrou variação no código genético quando os comportamentos dos cães,de mordiscar ou não seus flancos ou cobertores foram comparados.

 

Aprofundamento

A associação estatística levou a investigações mais profundas, a fim de determinar para qual proteína o gene continha instruções. Era para as proteínas chamadas cadherinas, encontradas por todo o reino animal e, aparentemente, envolvidas no alinhamento, adesão e sinalização celular.

 

Dennis Murphy, psiquiatra que esteve envolvido no estudo, afirmou que os resultados tinham potencial para uma compreensão mais avançada sobre o transtorno obsessivo-compulsivo. Murphy está trabalhando para encontrar e sequenciar o gene CDH2 em humanos, com o objetivo de verificar se ele está ligado ao comportamento obsessivo-compulsivo. Pessoas com TOC, muitas vezes, apresentam atitudes normais que se tornam extremas, ritualizadas, repetitivas e que consomem muito tempo, e sofrem de ansiedade e pensamento obsessivo.

 

À medida que os cientistas aprendem mais sobre as causas moleculares por trás dessa condição, eles usam cada vez mais o termo transtorno obsessivo-compulsivo para se referir à condição em animais e pessoas.

Revista Psique Ciência & Vida Ed. 87

Adaptado do texto “O melhor amigo do homem”