Dificuldade de aprendizagem: saiba como identificar e tratar

 

Por Maria Irene Maluf* | Fotos: Shutterstock  | Adaptação web Caroline Svitras

Segundo Silvia Ciasca, a dificuldade de aprendizagem é compreendida como uma “forma peculiar e complexa de comportamentos que não se deve, necessariamente, a fatores orgânicos e que são, por isso, mais facilmente removíveis”. Ela ocorre em razão da presença de situações negativas de interação social. Caracteriza-se, fundamentalmente, pela presença de dificuldades no aprender, maiores do que as naturalmente esperadas para a maioria das crianças e por seus pares de turma e é, em boa parte das vezes, resistente ao esforço pessoal e ao de seus professores, gerando um aproveitamento pedagógico insuficiente e autoestima negativa.

 

Em relação à sua origem, a dificuldade de aprendizagem, DA, se deve, em geral, a uma multiplicidade de fatores. São exemplos dessas situações:

  • As perturbações emocionais derivadas de mudanças, perdas na vida da criança ou de sua família;
  • Desorganização na rotina familiar, excesso de atividades extracurriculares, pais muito ou pouco exigentes;
  • Envolvimento com drogas, álcool;
  • Efeitos colaterais de medicações que causam hiperatividade ou sonolência;
  • Situações escolares de inadequação metodológica ou situações de bullying.

 

 

A dificuldade de aprendizagem pode ser percebida pela professora já na pré-escola, e seu desenvolvimento minimizado a partir de atenção individualizada e um suporte profissional especializado. Alguns sinais que podem ajudar os professores a identificar seus alunos com dificuldade de aprendizagem:

  • Problemas persistentes na área da linguagem, no interesse em ouvir histórias, dificuldade em seguir instruções orais, dificuldades maiores na iniciação à alfabetização, em redigir etc;
  • Déficits de memória;
  • Dificuldade em se concentrar em algo que não seja de seu interesse pessoal, de planejar, de exercer autocontrole etc;
  • Na motricidade: relutância para desenhar, escrita ilegível, lenta ou inconsistente, relutância em escrever;
  • Lentidão na aquisição das noções de espaço e tempo, domínio pobre de conceitos abstratos, dificuldade na planificação e realização de tarefas etc.

 

O disléxico precisa de uma aprendizagem diferenciada

 

O diagnóstico das dificuldades de aprendizagem envolve interdisciplinaridade em pelo menos três áreas: Neurologia, Psicopedagogia e Psicologia. A intervenção, em geral, cabe ao psicopedagogo, que é um especialista em aprendizagem humana e suas desabilidades.

 

Embora as dificuldades de aprendizagem não devam ser encaradas como se fossem problemas permanentes, é imperioso que pais e professores estejam atentos para identificar sinais de persistência dos sintomas e encaminhar as crianças e jovens ao diagnóstico. No mínimo, evitam-se a ansiedade e a frustração da criança e o comprometimento de todo seu rendimento escolar.

 

Revista psique Ciência & Vida Ed. 85

Adaptado do texto “Dificuldades no aprender”

*Maria Irene Maluf é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É editora da revista Psicopedagogia da ABPp e autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena o curso de especialização em Neuroaprendizagem.