Dar autonomia e lazer aos funcionários otimiza o desempenho no trabalho

Dar autonomia e lazer aos funcionários aumenta o seu desempenho e o seu engajamento

*Por Jussara Goyano

Foto Shutterstock

Funcionários que não se ajustam ao mundo corporativo tradicional e à cultura da empresa podem se engajar mais à companhia com o auxílio de job crafting e ampliando o seu lazer. A conclusão é de estudo realizado recentemente por pesquisadores da Universidade da Geórgia, EUA, publicado no Academy of Management Journal.

A saber, job crafting é uma prática que envolve dar autonomia ao funcionário para que ele desenvolva suas atividades levando mais em conta seus interesses e habilidades pessoais e, ainda, formas criativas de executar tarefas, diferentes dos modelos utilizados pela empresa. Já o conceito de lazer ampliado pode ser usado para mitigar os efeitos negativos do possível “desajuste” cultural entre funcionário e empresa e, mesmo, aumentar o desempenho do colaborador nessa situação.

No caso da pesquisa em questão, foi exatamente o que aconteceu com parte dos 193 funcionários observados, segundo seleção de empresas do Craiglist. Feito o devido diagnóstico de “desajuste”, eles responderam a questionários após a realização de atividades sob job crafting e lazer ampliado. Eles relataram seus valores individuais e no trabalho, seu nível de engajamento e satisfação, entre outras informações. Os pesquisadores enviaram um questionário também aos supervisores desses profissionais para medir o desempenho e avaliar o comportamento dos funcionários, cruzando todos os dados.

Os empregados que se envolveram mais regularmente em novas abordagens para suas tarefas ou alteraram, com autonomia, alguns pequenos procedimentos que vinham realizando na empresa foram significativamente menos propensos ao baixo nível de engajamento e desempenho. O mesmo foi verificado entre aqueles que tiveram seu lazer ampliado.

Segundo os autores do estudo, pesquisas futuras podem se concentrar na experiência de “desajuste” com base em valores específicos dos funcionários, ou sobre o efeito do rótulo de “desajustado” nos funcionários, quando emitido por colegas de trabalho, entre outras possibilidades a partir do levantamento atual.

Para saber mais:

R. M. Vogel, J. B. Rodell, J. W. Lynch. Engaged and productive misfits: how job crafting and leisure activity mitigate the negative effects of value incongruence. Academy of Management Journal, 2015; 59 (5): 1561 DOI: 10.5465/amj.2014.0850

*Jussara Goyano é jornalista. Estuda Psicologia, Medicina Comportamental e Neurociências, com foco em resiliência, bem-estar e performance. É coach certificada pelo Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento.

**Conteúdo adaptado do texto “Cultura Organizacional”

Revista Psique Ed. 130