Crescem casos de estresse pós-traumático no Brasil

Traumas provocados pela violência urbana fazem mais vítimas que grandes guerras. As sequelas vão muito além das perdas materiais

Por Roberta de Medeiros* | Fotos: 123 Ref | Adaptação web Caroline Svitras

Situações de grande estresse, como um acidente de carro ou um sequestro, podem deixar marcas profundas. À medida que a exposição à violência urbana aumenta, também maiores são os casos de trauma, especialmente entre adultos e adolescentes.

 

A Organização Mundial da Saúde só veio reconhecer o problema em 1994, a partir da revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID). Depois dessa origem, o transtorno é hoje um dos diagnósticos mais populares da Psiquiatria e já começa a fazer parte do acervo popular com força semelhante à que aconteceu em relação ao termo depressão ou pânico.

 

Em apenas uma década do surgimento do conceito, 50 centros de estudo e tratamento foram criados nos Estados Unidos. Em 1970 apareceram apenas 20 trabalhos científicos sobre o trauma. Em 1990 foram 150 referências e, em 1999, chegaram a mil. A maioria desses trabalhos é de autores dos Estados Unidos, Austrália e Israel.

 

Crianças, em geral, são as maiores vítimas. Pesquisas feitas por autores que analisam os eventos capazes de gerar traumas em meninos concluíram que em 100% dos casos a experiência será traumática, independentemente de aspectos como o nível de desenvolvimento da vítima, sua história de vida ou a qualidade de suas relações familiares.

 

Pesquisadores encontraram o expressivo índice de 100% de incidência de trauma em meninos que foram sequestrados no ônibus do colégio em Chowchilla, na Califórnia, nos Estados Unidos. Outro estudo obteve o índice de 94,3% ao analisar a frequência do trauma em estudantes adolescentes que, quando estavam na escola, sofreram ataque de um franco-atirador.

 

Diversos especialistas têm sondado o impacto dessas situações na população. O ranking dos principais fatos geradores de traumas são: sequestro, ataque de franco-atirador, abuso sexual, agressão física, furacão, terremoto, guerra, incêndio, desastre nuclear, violência doméstica. No Brasil, a ocorrência é maior em relação a acidentes de carro e violência familiar. Nesse caso, a chance de a vítima desenvolver trauma é de 24%.

 

Transtornos fóbicos

As percepções pessoais extremas sobre segurança são negativas, tanto para a pessoa que se considera muito segura e invulnerável, como em caso contrário.

 

Do ponto de vista clínico, os transtornos fóbicos dominam o quadro inicial depois do contato com a violência cega, havendo temor exagerado e impulsos de sair de lugares públicos. Em médio prazo são frequentes as depressões persistentes como autodepreciação e sentimentos de ser uma carga para os demais.

 

A evolução do transtorno de estresse pós-traumático nesses casos costuma ser muito prolongada e, finalmente, poderá ocorrer alteração da personalidade. Essa mudança se apresenta com alterações do caráter, sendo os sintomas mais frequentes a restrição afetiva e relacional, gerando isolamento. Pode haver também alguns transtornos psicossomáticos, tais como hipertensão, alterações de tireoide, diabetes, úlcera digestiva, eczemas, urticária, asma brônquica etc.

 

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Adaptado do texto “Neurose de guerra”

*Roberta de Medeiros é jornalista científica. medeiros.revista@gmail.com