Consumir álcool na gestação prejudica desenvolvimento do feto

Da Redação | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

O consumo de álcool traz inúmeros problemas, como todos sabem. Mas a ingestão da bebida por mulheres durante a gravidez pode trazer implicações ao desenvolvimento cognitivo das crianças, quando estas estiverem em idade escolar. Segundo uma pesquisa realizada na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, crianças cujas mães admitiram utilizar álcool em uma quantidade de três ou mais doses por ocasião, por mais de nove dias, durante toda a gestação, tiveram pontuação média menor no teste de avaliação cognitiva a que foram submetidas. O trabalho da psicóloga Luciana Inácia de Alcântara aponta, ainda, que os meninos, filhos dessas mães, apresentaram problemas comportamentais.

 

O desenvolvimento cognitivo está relacionado à abstração, atenção, linguagem receptiva, função executiva, concentração, memorização e ao julgamento crítico. “Mesmo em uma amostra relativamente restrita de mães e crianças e, com dados por vezes conflitantes em relação ao consumo de álcool durante a gestação referido pelas mães, associações significativas, também com uso leve e moderado de álcool, foram observadas” conta a pesquisadora.

 

Síndrome Fetal do Álcool

O efeito mais severo da exposição pré-natal ao álcool, já identificado, corresponde à Síndrome Fetal do Álcool, descrita inicialmente em 1973. A síndrome consiste em anomalias no desenvolvimento físico, comportamental e cognitivo de pessoas expostas à bebida desde sua gestação. “Achados clínicos incluem retardo de crescimento pré e pós-natal, disfunção do sistema nervoso central e dismorfias faciais”, contou a pesquisadora. Contudo, nenhum caso dessa síndrome foi observado na amostra analisada.

Fonte: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto

 

Revista Psique Ciência & Vida Ed. 88

Adaptado do texto “Consequências do álcool”