Conheça as origens da violência

Estudos indicam que a agressividade é uma marca inerente ao ser humano, e a trajetória de vida de cada um está intrinsecamente ligada a uma série de sentimentos positivos e negativos, forjados na infância

*Por Cláudia Maria França Pádua

Foto: Shutterstock

Apontar as origens da violência não é tarefa fácil. A genética e a teoria evolucionista indicam que a agressividade é um traço característico do homem, e que a história da vida de cada indivíduo está intimamente ligada a um conjunto de sentimentos bons ou maus, originados na infância e evocados quando nos indagam sobre nossa conduta familiar.

Charles Darwin, em seus estudos, percebeu que apesar de as espécies produzirem grande número de descendentes, somente alguns conseguiam sobreviver. Dessa maneira, Darwin concluiu que apenas os indivíduos que possuíssem características benéficas para enfrentar as condições do ambiente poderiam subsistir e ter maior chance de reproduzir novos descendentes. Sendo assim, nascia a chamada seleção natural, em que apenas os animais mais adaptados conseguiriam sobreviver.

Evidentemente, a forma de enfrentar esse paradoxo depende de como ele será caracterizado e do ideal em que será traçado e tomado como referência. Mas como definir a maldade? O mal é o ato de infligir dano intencional contra outros indivíduos, gerando prejuízos psicológicos e desvalorização, desumanizando suas vítimas para obtenção do prazer em sua perversidade interior, onde os instintos se manifestam enraizando no caráter a escolha de cada um.

Cesare Lombroso, criminólogo e professor italiano, foi o primeiro a descrever o delinquente sob um ponto de vista amplo e científico. Suas obras foram baseadas em um arsenal de fenômenos apresentados pelo homem e pelos animais na coletividade. Assim, as investigações processadas por ele mostraram que o delinquente habitual se considera, pelo “sentir” e pelo “atuar”, como um tipo regressivo, que volta a uma fase primitiva da humanidade: a do selvagem. E revela, por sua vez, que a característica espiritual mais acentuada desse delinquente seria a falta de afetividade, compaixão, que permite compreender a origem da crueldade para com a vítima e a indiferença perante a culpa (cinismo ante a execução). Dentro dos aspectos psicológicos do delinquente, seus sentimentos afetivos estão tomados por “um traço doentio, excessivo e instável”.

É imprescindível observar que, em alguns cruéis assassinos, uma marca é imposta: a tatuagem, cujo conteúdo explica no delinquente a selvageria do ato e permite uma inferência sobre isso, em que essa tatuagem se manifesta como um “patuá”, em uma inclinação onomatopaica.

Para entender as raízes da violência é necessário sondar as profundezas de uma mente assassina, no sistema límbico, local das emoções, onde a amígdala, responsável por todas as ações, referenciada como centro regulador do perigo, aciona as emoções e estimula tanto o ataque predatório quanto o afetivo, coordenando suas nuances.

Existe também outro responsável, o hipocampo, essencial para o aprendizado e a memória, que molda e regula a agressão, e quando estimulado desencadeia o movimento de ataque e fúria. O hipocampo é uma das primeiras áreas a serem afetadas em indivíduos com a doença de Alzheimer. O mesencéfalo, quando também estimulado, proporciona expressão à agressão emocional afetiva, o verdadeiro “sangue quente”.

Neurotransmissores

A ação dos neurotransmissores diante de um evento/agente estressor produzirá variadas reações psíquicas e orgânicas, que prontificarão o indivíduo para receber o golpe, atacar, defender-se ou fugir. Essas reações físico-químicas neuronais, com manifestações psíquicas e orgânicas, podem ser diretamente relacionadas a uma emoção fundamental: o medo.

Como forma de reação ao medo o indivíduo age de maneira consoante àquilo que entende como luta, voltando sua ação contra aquilo a que atribui a personificação da fonte geradora do medo; destruí-la, assim, é para esse indivíduo ganhar vida no jogo de estar presente no mundo.

Explicando: a agressão é um comportamento, e a agressividade é o estado motivacional resultado de um conjunto de alterações neuroquímicas e fisiológicas que ocorrem dentro do córtex cerebral. Indivíduos que cometem atos violentos de forma impulsiva, motivados por explosões de raiva, podem sofrer alterações neuroquímicas. O baixo nível de serotonina, que funciona como calmante e redutor do medo, se vincula a comportamentos e atitudes agressivas.

O ser humano é agressivo. Para que se possa compreender essa afirmação, é necessário entender que a agressividade é um impulso que poderá se voltar para fora do corpo (heteroagressão) ou para dentro do próprio indivíduo (autoagressão). Sendo assim, se apresenta como peça constituinte da vida psíquica, enquanto binômio amor/ódio e pulsão de vida/pulsão de morte (eros e tanatos).

A agressividade é conduta essencial à sobrevivência, para caçar, disputar parceiros sexuais, sobrepujar outros na conquista de bens escassos; no caso do ser humano, ela, além disso, está relacionada às atividades de pensamento, imaginação e ação verbal/não verbal. Consequentemente, alguém “muito bonzinho” poderá ter fantasias destrutivas ou até mesmo sua agressividade poderá se manifestar pela sua ironia, tornando-se irreconhecível perante as pessoas com quem convive.

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*Cláudia Maria França Pádua é psicóloga, criminóloga, perita judicial grafotécnica. Especialista em Criminologia pela PUC e  ACADEPOL/MG. Palestrante, Escritora, Comentarista Criminal. Prefaciadora do livro Criminologia Comparada, de Gabriel Tarde. Presidente do Núcleo de Estudos Pens’arte  & Ponto Criminal. Pesquisadora da área de Inteligência Criminal. Palestrante e Conferencista na área de Criminologia e Psicopatologia Forense.  Autora do livro O Criminoso e Seu Juízo… Existe Prazer em Matar??? Email: pontocriminal@gmail.com