Cientistas encontram possíveis responsáveis por Alzheimer e outras doenças

Estudo busca decifrar sistema nervoso central

Por Agência USP | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Um trabalho desenvolvido no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) e na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP tenta mostrar que existem formas de avaliar perifericamente (por análises sanguíneas) o que ocorre no sistema nervoso central. Os pesquisadores conseguiram identificar três compostos presentes no sangue associados ao envelhecimento cerebral e que poderão, no futuro, abrir caminhos para a identificação precoce, por meio de exames de sangue, de doenças como Alzheimer e demências.

 

Os pesquisadores estudaram três compostos presentes no organismo, cujos níveis variam de acordo com o envelhecimento: monofosfato cíclico de guanosina (GMP cíclico), óxido nítrico sintase (NOS) e substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (TBARS).

 

“O TBARS já é usado como um marcador do envelhecimento cerebral, mas o uso do GMP cíclico e do NOS é inédito”, relatou a professora Tania Marcourakis, do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da FCF. Tânia foi a orientadora da dissertação de mestrado da pesquisadora Elisa Kawamoto. O objetivo foi estudar o sangue (plaquetas) de pacientes com doença de Alzheimer. “Há relatos na literatura científica indicando que a doença é sistêmica, ou seja, atinge o organismo inteiro, mas tem preferência pelo sistema nervoso central”, contou.

 

Marcadores

Os cientistas compararam as plaquetas de três grupos de pacientes: 37 adultos jovens (18 a 49 anos), 40 idosos saudáveis sem nenhum tipo de demência (62 a 80 anos) e 53 idosos com Alzheimer (55 a 89 anos). Eles constataram que o envelhecimento aumenta a presença da NOS e da TBARS, e ocorre uma diminuição do GMP cíclico. Contudo, nos pacientes com Alzheimer esse processo é muito mais intenso, ou seja, a presença de NOS e TBARS é muito superior quando comparada aos outros dois grupos. “A produção excessiva de NOS leva à formação de radicais livres”, comentou a professora.

Revista Psique Ciência & Vida Ed. 89

Adaptado do texto “Marcadores do envelhecimento”