Cientistas descobrem partes do cérebro responsáveis pela depressão

Por Jussara Goyano* | Foto: Shutterstock | Adaptaçaõ web Caroline Svitras

Mais de mil chineses tiveram seus cérebros escaneados por aparelhos de ressonância magnética de alta precisão durante pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Warwick, Reino Unido, e da Universidade Fudan, na China. Como resultado, os pesquisadores conseguiram verificar quais estruturas cerebrais estão, de fato, envolvidas nos mecanismos da depressão e como estão interligadas. Uma delas é o córtex orbitofrontal lateral, que atua no sistema de recompensa, processando, principalmente, a “não recompensa”, com um papel fundamental na sensação de perda e decepção constante percebida pelos que sofrem da doença.

 

A estrutura em questão também está relacionada com uma parte do cérebro responsável pelo senso de si mesmo, onde a baixa autoestima dos pacientes com depressão se processa. Já a falta de conectividade observada entre o córtex orbitofrontal medial e as regiões responsáveis pela memória no cérebro poderia explicar a dificuldade do acesso a memórias felizes desses pacientes.

 

Um estudo anterior, da Icahn Escola de Medicina do Monte Sinai, publicado na revista Neuron, já havia detectado que a depressão envolve mudanças em uma cadeia coordenada de centenas de genes em todo circuitos importantes do cérebro.

 

Os achados recentes, junto ao estudo dos genes, permitem novas investigações e testes em busca da melhor intervenção terapêutica para a depressão atuando principalmente no resgate das memórias positivas dos pacientes e no fluxo de pensamentos negativos.

 

Revista Psique Ciência & Vida Ed. 129

Adaptado do texto “Neurociências e bem-estar”

*Jussara Goyano é jornalista. Estuda Psicologia, Medicina Comportamental e Neurociências, com foco em resiliência, bem-estar e performance. É coach certificada pelo Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento.