Aprenda a encarar desilusões como oportunidades de autoconhecimento

Embora a maioria não perceba, os insucessos ou situações negativas podem tornar as pessoas melhores, pois, dependendo de como são encarados, há chances de se reverterem em autoconhecimento e aprendizado

Por Douglas Motta Calderoni* | Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Diariamente os profissionais da Psiquiatria atendem uma parcela considerável de pessoas que sofrem por alguma desilusão, seja ela profissional, amorosa, pessoal ou corriqueira. Em alguns casos, há a associação de um quadro depressivo com a decepção recém-vivida pelo paciente. Esse tipo de situação torna tornam as pessoas melhores, não como uma tentativa de recuperação sob a ilusão de um futuro melhor, mas sim porque cada momento da vida, seja ele positivo ou negativo, pode ser revertido em autoconhecimento e também em aprendizado para outras situações que ainda estão por vir.

 

Quando alguém passa por um processo depressivo, um dos pilares do tratamento, além da medicação, quando se faz necessária, é a psicoterapia, que auxilia o paciente a lidar com algumas expectativas, comportamentos e pensamentos, provocando a mudança permanente de comportamento, claro que de forma positiva, possibilitando-o evitar outras situações como as que foram vividas anteriormente.

 

O ser humano evolui com as dificuldades e, muitas vezes, essa fase é encarada de uma forma mais introspectiva, pois ela requer um “balanço” interno e um momento de maior autoconhecimento. É fato que nenhuma pessoa precisa passar por uma depressão para que possa estar mais preparada para as adversidades, mas isso faz com que se pense um pouco em como preparar os filhos para a vida.

 

No momento que uma criança chora, principalmente quando é muito pequena, é sinal de que algo está desconfortável. Pode ser fome, frio, dor ou qualquer outra sensação desagradável em seu corpo. Isso gera nos pais e responsáveis uma ansiedade em descobrir o que está causando o sofrimento para, em seguida, fazer algo para acabar com ele. Isso, sem dúvida, é algo que deve ser feito, mas questiona-se a urgência dessa atitude.

 

Ao cessar o desconforto imediato os pais oferecem o máximo de conforto, mas também desperdiçam a chance de deixar a criança lidar com aquele desafio e resolvê-lo por si. Com isso, as crianças se tornam cada vez mais dependentes e o grande efeito colateral disso é que não é possível evitar o sofrimento para sempre, pois os filhos crescem e precisam enfrentar sozinhos o mundo lá fora.

 

O exemplo é aplicável para todas as idades. É preciso enfrentar os medos e contornar os fracassos, claro, com o apoio de quem está próximo afetivamente, mas não se pode poupar ninguém das adversidades do dia a dia. Pais superprotetores privam os filhos de seus próprios desafios, tornando-os adultos medrosos e vulneráveis a qualquer não que a vida venha a lhes dar.

 

É preciso estar atento a algumas dicas básicas para lidar com situações de risco, como: oriente e não prive; incentive a seguir sempre em frente e em busca de objetivos; ajude a levantar dos tombos e a refletir a lição que a situação deixou para o resto da vida; ensine que a vida é feita de acertos e erros (ambos são importantes para o crescimento).

 

Vale refletir, pois se refere à preparação das futuras gerações para a vida. Cuidar nem sempre é sinônimo de proteger de todos os tombos e, sim, de ajudar a levantar e prosseguir!

 

Revista Psique Ciência & Vida Ed. 123

Adaptado do texto “A importância do fracasso”

*Douglas Motta Calderoni é médico psiquiatra, especialista em comportamento humano e sócio-fundador da clínica Sintropia.