Ansiedade profissional: normal ou paralisante?

A ansiedade é uma emoção normal, combustível para a busca de crescimento pessoal e profissional. Mas, quando é acionada incessantemente, o organismo entra em colapso, podendo até provocar o surgimento de psicopatologias

Por Andreia Calçada* | Fotos: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

Vivemos a cultura do consumo e do imediatismo, graças à era da informática e da internet. Não por acaso são frequentes os profissionais que se preocupam em mudar de emprego com rapidez, em busca, principalmente, de melhores salários.

 

De acordo com Robert Half, empresa de recrutamento de recursos humanos, o mercado aquecido é situação perfeita para quem é competente e almeja um novo emprego, desde que sejam tomados certos cuidados. E o principal deles se refere à ansiedade em conquistar um lugar ao sol. A dica vale especialmente para a geração Y, afoita por uma rápida ascensão profissional e, normalmente, pouco preocupada com a constante mudança de empregos. Ficar seis meses em cada companhia pode até ser desafiador do ponto de vista pessoal, mas compromete a imagem do profissional junto ao mercado. Por isso, é importante analisar as propostas com serenidade e encarar a troca de trabalho como uma decisão estratégica, com consequências em longo prazo.

 

Nesse sentido, vale ressaltar que a remuneração é apenas mais um dos fatores, e não o principal, que pesam nessa decisão. Mudar de emprego de olho apenas em um salário mais gordo é um erro comum entre jovens profissionais. Hoje em dia, na hora da contratação, as companhias levam em consideração não apenas a expertise do candidato, mas também a forma como foi conduzida a sua carreira.

 

Limites no trabalho

É importante que o funcionário tenha claro seus limites e busque realizar o máximo que pode, deixando de lado o perfeccionismo que o faz buscar limites irrealistas para a efetivação de seu trabalho. A sensação de que o que faz nunca é bom o suficiente, e de que alguma crítica aterradora virá, gera altos níveis de ansiedade. Caso esteja nessa situação, sem que consiga racionalizar os pensamentos, a sugestão que os especialistas dão é a de pedir ajuda e opinião externas. Saber lidar com a crítica é treinamento importante, sabendo ouvir bem, como reconhecer falhas e qualidades. Procurar os dados de realidades na ocorrência dos fatos é sempre o melhor caminho para buscar soluções. Ser justo, portanto, tanto com o outro como consigo mesmo é uma boa forma de colocar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo.

 

 

As profissões com maior nível de responsabilidade decisória e riscos, além do estabelecimento de metas, são aquelas que geram maiores níveis de ansiedade. Para conviver bem com a ansiedade e usá-la a favor do crescimento e bom desempenho profissional é fundamental que antes de tudo tenha-se claro que o trabalho “é uma parte importante da vida e não a vida como um todo”. Não pode tomar conta de todas as relações que envolvem a vida de uma pessoa. Ela deve aprender a limitar tal interferência mesmo que para isso precise estabelecer como objetivo a mudança de área ou empresa.

 

O status que um bom cargo ou promoção fornecem, bem como as boas sensações e o poder que advêm de um cargo, muitas vezes “sobe à cabeça”, deixando o indivíduo escravo destes. Torna uma pessoa reduzida ao ser gerente, diretor ou engenheiro, fazendo-o esquecer de coisas simples, levando à cobrança da perfeição para que não perca a essência da conquista realizada. Para que isso não aconteça, é importante que outros prazeres, além do trabalho, sejam mantidos, que os relacionamentos sejam cultivados, ampliando os diálogos e as ideias. A criatividade deve ser estimulada na busca de alternativas de vida mais saudáveis caso o trabalho seja um motivo real para a ansiedade. Buscar cultivar o bom humor é algo fundamental para esse gerenciamento.

 

A realização de atividades físicas é recomendação médica nesse controle. Buscar olhar as dificuldades por outros ângulos é fundamental. Caso seja difícil realizar tal intento sem ajuda, a busca de um especialista é recomendada. A ajuda psicoterapêutica, e por vezes medicamentosa, pode ser grande aliada na busca desse equilíbrio.

 

Revista Psique Ciência & Vida Ed. 84

Adaptado do texto “Ansiedade profissional: normal ou paralisante?”

*Andreia Calçada é psicóloga e psicoterapeuta. Especialista em Psicologia e  Psicopedagogia Clínica, especialista pelo IPUB em Neuropsicologia. Professora de cursos sobre Avaliação Psicológica e experiência de 10 anos em Psicologia Jurídica. Autora do livro Falsas acusações de abuso sexual  – o outro lado da história.