Acreditar que velhice é algo ruim predispõe o Alzheimer, diz estudo

Saiba mais sobre a pesquisa feita nos Estados Unidos, que indicou que ver a velhice como algo negativo influencia nas modificações cerebrais ligadas ao Alzheimer

*Por Jussara Goyano

Foto: Shutterstock

Uma pesquisa recente, da Escola de Saúde Pública de Yale, Estados Unidos, publicada no periódico Psychology and Aging, coloca crenças negativas sobre o envelhecimento como um importante fator cultural e psicossocial de risco para modificações cerebrais ligadas ao Alzheimer.

De acordo com a pesquisadora Becca Levy, responsável pelo estudo, seria o stress causado por essas crenças a principal causa dessas mudanças. O fator estaria associado à diminuição do hipocampo, que, por sua vez, está ligada ao surgimento do mal de Alzheimer. A constatação foi feita em uma primeira fase de análises conduzidas pela cientista e por sua equipe.

Numa segunda fase, os pesquisadores utilizaram autópsias no cérebro de voluntários da pesquisa já falecidos para examinar dois outros indicadores da doença de Alzheimer: placas amilóides, que são aglomerados de proteínas que se acumulam entre as células cerebrais; e emaranhados neurofibrilares, que são fios trançados de proteína que se acumula dentro das células cerebrais. Os que haviam apresentado mais crenças negativas sobre o envelhecimento, verificadas, em média, 28 anos antes dessa investigação, tinham um número significativamente maior de placas e emaranhados.

Para Becca, segundo depoimento no site da Yale, o que é positivo em seus achados é que também a mudança de opinião sobre a velhice, com reforço constante de suas características positivas, é capaz de retardar as transformações cerebrais associadas a demência e Alzheimer.

Para saber mais:

http://news.yale.edu/2015/12/07/negative-beliefs-about-aging-predict-alzheimer-s-disease-yale-led-study

*Jussara Goyano é jornalista. Estuda Psicologia, Medicina Comportamental e Neurociências, com foco em resiliência, bem-estar e performance. É coach certificada pelo Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento.

**Conteúdo adaptado do texto “Cognição na maturidade”

Revista Psique Ed. 121